segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Ressaca

A vitória de Dilma foi um alívio. Sei que perdi a capacidade de sorrir no últimos tempos, mas não posso ver com felicidade, por mais que tente.
Não vi uma questão chave para nossa sociedade ser debatida: reforma agrária. O máximo foi a imbecilidade do Serra querendo atacar o MST, defendendo a paz no campo. Falar em reforma agrária é tocar num pilar de nosso conservadorismo: a latifúndio. Seja dita a verdade que o latifúndio, quinhentista em seu nascimento, antecende a próprio capitalismo e sua legitimação da propriedade privada. Sem a reforma agrária ainda teremos explorados e por consequências milhares de miseráveis. Teremos também um preço inflacionado nos alimentos e uma produção esquizofrenica voltada apenas para a exportação monoculturista (a história se repete de fato ??).
Tenho dúvidas de como será a relação com a imprensa. Não creio que estaremos diante de um governo que vomitará censura, mas sim de uma imprensa golpistas e essa relação tem tudo para ser tumultuosa, que Dilma possua maestria, senão ...
Também não sorrio porque a educação ainda é algo problemático. Tenho ressalvas ao ProUni, em como ele sucateia o ensino de qualidade. Tenho temor de tomarmos como verdade o que é profetizado via Coréia do Sul: formar técnicos. Será a chave do Armagedon, pois esqueceremos da educação crítica e da formação de base para formar corpos técnicos com práticas conservadoras.
Por fim não sei como será lidar com o PMDB. A aliança com o passado que me vem à mente é a PSDB/PFL e que sabemos criou uma nova UDN, no pior aspecto da palavra.
Claro que esses temores podem sumir com o vento, podem ser apenas preocupação de um historiador subdesenvolvido, quero na verdade que estes pontos sejam superados e eu tenha que refazer meus apontamentos.
Por hora eu agradeço a eleição de Dilma, porque significou um duro golpe à classe média e seu pensamento retrógrado, como também significou, na luta de classe que estava sendo travada, a vitória do menos aburguesado, do mais compromissado com o povo e sobretudo, do menos pior.