Na derrota tudo falha e na vitória tudo funciona.
Maniqueísmo interessante que paira sobre o esporte e que ganha mais volúpia em
certos momentos, com certos atores. Quando a carência de sucessos no cotidiano
dá as mãos para a falta de conhecimento e numa celebração rançosa, juntam os
trapos, a dualidade vira preconceito, reação e ódio. Este país que acha ter cultura esportiva, mas tem
apenas meia dúzia de frases feitas sobre futebol, faz isto sempre que eventos
esportivos ganham o grande público.
Tomemos como exemplo a mais injustiçada representação
esportiva do Brasil: vôlei feminino. Não é injustiçada pela falta de dinheiro
ou de estrutura, porque neste aspecto, se quisermos versar sobre injustiça,
outros exemplos são mais cabíveis. Paira sobre as atletas que representam o
Brasil nas quadras tudo aquilo que é o conservadorismo tupiniquim.
A cada derrota elas são descontroladas emocionalmente, que
reunidas em grupo não sabem ser profissionais. “Mulheres de Vênus”, cheias de
desequilíbrios. Perdem para a concentração que não possuem, para o empenho que
deixam escapar e para o psicológico instável, típico de uma “nação” cheia de
debilidades por sua formação “multi racial”. Mas quando vencem, são a superação
das adversidades, são a garra de um povo sofrido pelo espólio colonial e,
sobretudo, o talento inerente na irreverência
e naquela mesma emoção, soturna de outrora.
Mas não deveríamos esquecer este discurso de que elas são
instáveis porque são mulheres? Não deveríamos esquecer que elas são coitadas
que se superam? Não deveria ser sepultado essa explicação que nada explica ao
dizer que “amarelaram”?Claro que deveríamos. Mas aí precisaria começar a explicar
as vitórias e as derrotas com
fundamentos.
Por exemplo: José Roberto Guimarães teria que deixar de ser gênio, para ser um
técnico que fez escolhas erradas na montagem do time, que geriu errado crises
internas, que fez apostas desnecessárias e que teima em falas sexistas. Teria que ser também o técnico que
fez um trabalho físico que minimizou as lesões da temporada brasileira, não
teve medo de mudanças táticas e passou confiança a suas atletas.
Estamos prontos para isso ? Estamos prontos para olhar além do resultado? Estamos prontos para deixar de criar vilões e heróis? Estamos prontos para ser inteligentes ?