E começou a Copa do Mundo.
Estranho que o clima de Copa, esse, ainda é um senhor desconhecido, talvez pegasse
o voo errado e se perdido numa das 12 sedes. Na verdade, acho que ele
sabiamente deixou de vir para setores mais complicados, lugares em que ainda se
pensa tão bem de entradas e bandeiras. Mas começou. Alienação então está a
postos? Receio, aos mais grandiloquentes que não.
Sim, estamos diante de uma
entidade extremamente corrupta, que destruiu boa parte do encanto do futebol e
que resolveu ser chancela para tudo. Pobre menina rica essa FIFA. Acha-se
senhora do jogo. Pode até ter um monopólio, mas o jogo é popular, é parte do
conjunto de símbolos da Comunidade Imaginada Brasil e vai desencadear turbilhões
que não estão nas amarras desse tal padrão.
Turbilhões que não são esses
cartazes em ritmo de UDN que condicionam melhorias sociais a construir mais
hospitais e escolas, mas não entendem que prédios não farão diferença e que é a
estrutura de poder o problema e não uma pessoa que deve tomar caminhos escusos
do trato intestinal. A crítica, bem vinda, deveria pensar mais em como a
discussão sobre o lazer e o esporte, parte de uma possibilidade de libertação
de trabalhadoras e trabalhadores nunca ocorre. Não estavam lá, como não estavam
aqueles que deveriam dar conta de pensar que o espaço público, esse sim, foi
violentado pela forma como se pensou esse campeonato mundial de futebol.
A Copa começou e podemos ter a
chance de ver que argumentos discutir. Se o ódio às injustiças vai suplantar o
futebol e suas possibilidades sociais – aquelas que vão além dos discursos
popularesco em torno de Gilberto Freyre – ou se vamos encarar essa prática
corporal como parte de uma guinada social. Vamos escolher se é o discurso de
reacionarismo e incompetência que brada sem proposição ou se é um debate sério
de rumos e projetos. A Copa começou, essas escolhas precisam começar.