quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Espírito Olímpico



                Com a Tocha no Rio, o Espírito Olímpico parece que chegou.  Sempre ouvi falar dessa entidade, mas imaginava-a como aqueles desenhos dos anos de 1950 de fantasmas em camaradagem, contudo, parece que aportou nessas terras de além mar o casmurro personagens de Dickens: o Natal do Futuro.
                Digo isso não com a tônica pessimista de que tudo está errado e que a vergonha embala a “terra mais garrida”. Erros de infra estrutura não são mais apenas exclusividade de nós, brasileiras e brasileiros, ao sediar grande eventos esportivos. Verdade seja dita que os sentimos com maior intensidade, pois Guadalajara ou Beijing não estão do outro lado da rua ou depois da mercearia da esquina. Há que dividir o Jogos Rio 2016 em duas – para não dizer dúzias – faces; uma que versa sobre planejamento e infraestrutura e a outra sobre esporte. Apenas comento a segunda.
                A década de grande eventos esportivos que encerra-se com os Jogos Olimpicos e Paralímpicos teve início com a escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Panamericanos de 2007 – primeira vez que uma cidade estadunidense perdeu a disputa por jogos multi esportivos. Como a escolha ocorreu ainda em 2000, significa que desde aquele ano sabia-se que a agenda esporiva seria ímpar. E foi. Mundial Feminino de Basquete (2006), Mundial Feminino de Handebol (2011), Finais da Liga Mundial de Voleibol (2008 e 2015), Etapas do Grand Prix de Volei Feminio, Etapas da Copa do Mundo de Ginástica, Grand Slam de Judô, Copa das Confederações de Futebol (2013) e eventos de exibição são alguns exemplos esportivos realizados aqui. Eventos de amplo impacto como os Jogos Mundiais Militares (2011) e a Copa do Mundo (2014).
                Essa miríade de eventos não transformou o país numa “pátria esportiva”. Digo isso no sentido do alto rendimento, mas também naquele que é o mais importante, no esporte como caminho educacional e de impacto social. É possível se atingir a meta de Top 10, das cerca de 30 medalhas que colocaram o país no panteão das grandes potências olímpicas, mas há que se refletir se os gastos aplicados pelo Poder Público – diretos e indiretos – possibilitaram que mais indivíduos tenham condições de chegar ao alto rendimento. Se a resposta não for categórica em dizer que sim, se olharmos com ressalvas, então o tal legado é o pior possível.

                

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