sábado, 16 de fevereiro de 2013

Parabéns AJ



No século XX, o esporte virou celeiro para o surgimento de grandes ídolos. Num mundo em que os muitos Direitos Divinos perderam espaço e a Cultura da Paz domina os discursos vazios, a mimese que restou para os campos de batalhas com heróis e heroínas é, em muitas das vezes, o campo esportivo.

Há sim o problema da efemeridade: faltam-nos grandes epopeias e com o desenvolvimento de tantas mídias audiovisuais a imaginação que permitia aos dragões voar e aos monstros abissais bradarem ante o fervor de valores mágicos soçobrou. A própria carreira esportiva limitada a poucos anos de labuta, impõe a abrupta brevidade. Mas, ainda que o tempo não combine muito para que os mitos estejam aptos à longa duração, alguns se destacam.

Michael Jordan é um deles. O primeiro motivo parece óbvio: ajudou o ser humano em sua experiência de quase voar. Air Jordan, Sua Majestade Voadora, bailando no ar. Parecia ali, naquele salto despretensioso da linha de lance livre ao aro, que chegávamos ao Paraíso, que brincávamos todos, inebriados, parecer com os pássaros.

E o estudante da Carolina no Norte também tocou aqueles que não têm a poesia no peito. Talvez aí esteja sua grande cartada, pois, num mundo de concreto e de finanças, poções de amor que levam ao voo tendem a secar antes de serem fabricadas. AJ virou marca, comércio, cifras, como nenhum outro antes dele; como tantos outros depois. Tênis, camisetas, fotos, desenhos. A marca que invadiu até o mundo do faz de contas do coelho maldoso, do pato chato, do marsupial que anda por aí circulando.

Para uns ele fez chegar perto da magia do voo, para outros da realidade. Para todos perto de um herói. Mas não daqueles que pensam em ser divindade pagã. Herói de quem gosta um bom jogo.

Parabéns AJ.

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