terça-feira, 5 de março de 2013

Em meio às disputas, o esporte universitário



                E vem dizem-nos um milhão de vezes, como naqueles cânticos mal ressoados no claustro da abadia, que o esporte paramentado de heróis olímpicos, se faz nas escolas. Se já não bastasse o tanto de peso que os seguidores de Capanema colocaram sob esta instituição, – com ar impávido e colossal – mais um para emergir dos livros de alfabetizar que ninguém lê. Irei anuir em tom irônico para perder amigos, mas ganhar a discussão. O celeiro – palavra que tanto remete a nosso passado agrícola teve ter hora e vez em outros Augustos Matracas. Contudo, pensando na seção universitária deste esporte, com um clamor quase de manifesto, mas sem antropofagia que nos fez tão bem ainda ontem, teço algumas considerações.
                Primeiro que ele deve ser feito por uma parceria de instituições de ensino e seus discentes. Não há outro caminho. Jogos não lúdicos em torno do neoliberalismo hão de fracassar. É no diálogo horizontal, nas propostas comuns que se faz uma verdadeira política em esporte universitário. Menções desconexas e citações rasteiras também não dão conta. Coletivo e discussão, primeiro ponto e chamem Caronte porque se este não for cumprido precisaremos de um bom atravessador e moedas de ouro.
                Segundo ponto é planejamento. Jargão gasto e sem uso nos ramos administrativos, muito bom quando se quer passar seriedade e se deixa o conteúdo no lavabo. Planejamento significa não se esgotar nos louros ou espinhos de um evento. Ir além, pensar sistematizado o que inserir e o que suprimir: por onde andar e por onde ir. E neste ponto, desculpem os desavisados, aos que querem glórias,  aqui as sereias são devoradoras de gente e os tesouros maldições milenares. Quem quer reconhecimento que busque a segunda porta à esquerda.
                Por fim um elemento de integração e diversão. Em vez de um treinamento tacanho com ordens unidas e verde oliva no fundo de tela, o esporte na universidade deve divertir, atrair pessoas, integrar grupos distintos. Formação social que é parte importante da formação profissional e intelectual, jamais indissolúvel. O esporte como pedagogia, é aqui o norte fundamental.
                Um projeto que tenha em seu escopo estes eixos merece o apoio. O resto que soçobre tormentas do Bojador.

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