domingo, 7 de abril de 2013

Para além do único clássico possível no Vôlei Feminino do Brasil



                Há um discurso recorrente de que o esporte no Brasil deveria mobilizar-se num esforço de organização tomando como exemplo máximo o voleibol. Quase como um mito, o trabalho realizado pelos gestores da modalidade nas últimas três décadas, com relativos resultados esportivos e financeiros, emerge como solução a ser replicada, como síntese da racionalidade e do compromisso, tão raros às organizações coletivas deste país. No entanto, essa máscara de excelência é porosa, constantemente carcomida e ainda assim defendida.
                Se o modelo que vamos seguir é o do vôlei, então algumas perguntas tem que ser respondidas de imediato. A primeira é sobre a pretensa organização. Ora, se temos diante de nossos olhos um oásis, por que a final da temporada ocorre o encerramento de atividades de equipes das Superligas Feminina e Masculina? Não há planejamento por parte dos clubes e de seus patrocinadores? Não há dinheiro que sustente a existência de um time? Se a resposta for afirmativa às duas questões, então a distância para aquilo que é tido como a bagunça maior, o futebol masculino, é mínima. E ainda há um calendário mambembe, levando atletas à exaustão com lesões rotineiras.
                É notório que se as Seleções gozam de estrutura de treinamento, marketing, boa gestão, dinheiro e patrocínios, o mesmo não ocorre com os clubes. Por mais que pareçam entidades profissionais, os clubes são apenas estamparia para marcas sazonais. Não há um apelo para a participação dos fãs, o que no modelo atual, é o que garante – seja com venda de produtos, ingressos ou com a audiência da televisão – o sucesso de um esporte. Desta forma, do ponto de vista do status quo  do esporte de rendimento, o mito não se sustenta.
                Pensando pelo lado pedagógico e também esportivo, o que se observa é que há sim um cume abruptamente distante de uma base insossa. Com uma elite ornamentada com bons resultados, não temos uma massificação – num difícil sentido que concilie quantidade e qualidade – que cumpriria com a proposta de um esporte que não seja apenas a competição, mas também possibilidade de lazer, integração, tolerância e reflexão crítica sobre o corpo. E desse tracejado engajado, por vezes utópico, surgiria um resultado esportivo: mais gente praticando, mais atletas.
                É claro que o vôlei brasileiro é bom, merece parabéns pelos acertos, mas também críticas pelos erros, no intuito de melhorias. É importante que se assassine o mito da “organização impecável” pelo bem da modalidade não apenas em sua vertente de rendimento. Sem isso, vamos continuar na insólita afirmação que não se sustenta de que temos o melhor campeonato nacional do mundo e que Parceiro Rio de Janeiro contra Parceiro Osasco fazem o grande clássico do vôlei feminino. Na verdade, como está posto hoje, com nove finais seguidas, não fazem o maior, mas o único que é possível no Brasil.

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