terça-feira, 31 de julho de 2012

O que pensar com as derrotas e com as vitórias.

E todos esperavam que o judô brasileiro fosse soberano. É claro, ansiosos e superficiais como somos ao falar de esporte, depois do começo promissor, esperávamos grandes resultados. Mas em três dias, seis decepções e parece que tudo é soturno.

Pouco importa que já seja uma das melhores participações do Brasil na modalidade. Pouco importa que o judô seja uma das mais ingratas modalidades, afinal tomar um ace, um gol ou uma cesta de três não significa, necessariamente, o fim, mas tomar um golpe perfeito sim. Sendo um esporte com características que tanto fomentam as surpresas, favoritos perderem é normal. Caso contrário teríamos japoneses medalhado em grande quantidade, com franceses, russos e brasileiros de meros coadjuvantes.

E uma possível maldição que desça sobre nossos favoritos desde Sidney deve ser de pronto esquecida. Edinanci, Carlos Honorato, João Derlei e Luciando Corrêa - assim como Leandro Guilheiro - foram estudados pelos adversários, que ali viam a grande luta de suas carreiras. A tese sobrenatural deve figurar no limpo junto com aquela que acusa todas as nossas derrotas - e nunca as nossas vitórias - como resultado de nossa destemperança e subdesenvolvimento.

E como um agente das trevas que sempre clama por um novo roteiro audiovisual, basta uma derrota para que o mito da tolerância vá à cozinha se embebedar de café e tome conta da sala de jantar o ranço do preconceito. Perde-se e ganha no esporte por questões complexas, que passam por vários treinamentos físicos, táticos, técnicos e emocionais, independente de você ser filho da mestiçagem freyriana ou não. O que fizeram com Rafaela Silva, apedrejando a menina em redes sociais é a prova de que esta "sociedade brasileira" é não só herdeira como produtora da Casa Grande.

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