Com as
três vitórias do time feminino de handebol do Brasil nestas Olimpíadas - melhor
resultado entre as quatro seleções de esportes coletivos que o Brasil
classificou para Londres - começam a surgir os ufanismos, os absurdos e as
máscaras.
A cobertura que a Seleção recebeu até agora foi pífia frente suas
possibilidades. A preocupação maior até então era mostrar um jogo exótico, em
que meninas ainda não ranqueadas nas listas de beleza, eram comandadas por um
"gringo". E como exotismo mostrar que o dinamarquês estava adaptado,
afinal de contas, ninguém resiste à brasilidade - seja lá o que isto
signifique.
Agora o
time passa a ser olhado com volúpia, começam a surgir especialistas - muitos
do futebol, afinal de contas é apenas um futebol jogado com as mãos este
esporte exótico - e nos brindaram com a ignorância. Sabendo coisa alguma, demonstrarão
estatísticas e previsões de um vidente cego. E aí, como sempre, vão insuflar as
expectativas. Dirão - ou melhor, já dizem - que a caminhada é para o ouro.
Portanto, a partir de agora, o monstro está criado: se o Brasil
perder nas quartas de final, mesmo tendo feito um resultado histórico - será o cataclismo,
a prova de que as meninas sofrem de descontrole emocional, que "amarelaram". Não orgulho, mas vergonha.
Não cabe num país
de vencedores, de indivíduos que na alegria e na tristeza jamais desistem,
perdedores. Vamos mascarar avanços que podem ser tomados para outras áreas e
esquecer que existem graves problemas na modalidade no Brasil. O bom trabalho irá para a latrina e o mamembe continuará em ação.
Impressionante
como nossa imprensa e nossos queridos entendidos em nada forjam o senso comum e
sepultam o que ainda nem nasceu.
PS: Em tempo, Ministro, se o senhor não sabia que existe campeonato de
handebol feminino no Brasil, significa que o senhor desconhece um dos possíveis
destinos aos investimentos públicos no esporte. Complicado !
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