sábado, 4 de agosto de 2012

Decepção ?

Maus resultados surgem e precisamos de culpados. De preferência bem esquálidos, que diante do nosso juízo pecaminoso, não revidem e ofereçam todo o corpo à violência. É pré-requisito não entender do que se fala, das especificidades dos esportes comentados, mas na língua afiada ter as palavras decepção e "amarelar". Refletir sobre o que de fato ocorreu em cada insucesso e ir além do discurso do fracasso nacional, isso não conseguiu fazer.

Essas meninas que ousam adentrar ao genuíno espaço masculino falharam de novo. Agora para o Japão (?). Vamos procurar dezenas de cruzes. Não vamos citar que mesmo com bons resultados nas duas últimas Olimpíadas pouco se fez por uma estrutura de futebol feminino. Em vez de investimento, sexismo. Uma hora o talento excepcional de Marta e de Cristiane sucumbiria aos investimentos em treinamento feitos por times como o Japão, Canadá ou Inglaterra (Grã Bretanha).

Podemos usar parte do discurso da falta de estrutura para o basquete feminino. Não temos liga consolidada e trabalho de base. Mas o basquete que faz "campanha humilhante" tem suas peculiaridades: comissões técnicas sucedendo-se em atraso de treinamento; brigas internas e para coroar uma ex- rainha que se acha, com o cedro de cartola, comentarista e treinadora.

E Cielo ? Este deveria ganhar e pronto. Afinal de contas é bem nascido, treinou no EUA. Pena que não são tão bem nascidos e nem treinaram nos EUA o magote que o alçou como sobre humano, herói maior de um lugar de vilas e de vilões. Cielo tinha bons tempos, mas numa natação em decadência, falta clube para treinar e gente para pensar, o fracasso e sucesso estavam junto no baile. Qualquer um deles poderia fazer a corte e chamar para a sinfonia final.

Fabiana Murer e o vento: grandes piadas. Uma que ninguém contou. Ela mudou seu treinamento para vencer Isinbayeva, esqueceu-se de fazer sua parte. A desculpa é ruim, mas segurem as cruzes. Não é falta de brio que ocorreu ali, mas treinos equivocados e uma estratégia de salto errada: em vez de tirar o nervosismo e se adaptar ao vento em saltos mais fáceis - assim como vez no Pan em 2011 - ela escolheu começar em 4,50 m. soçobrou.

Com o modelo de esporte que estamos adotando, investindo apenas no alto rendimento já consagrado, a decepção seria que houvesse sucesso.

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