quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Seria o fim do Vôlei?

Que os dirigentes do esporte brasileiro primam por má gerência no esporte não é segredo. Um desavisado, com um pequeno olhar, dará conta disso. E no meio deste tenebroso mar, há uma ilha de excelência chamada Vôlei. Então, sendo um exemplo, não cabe dizer que os atuais maus resultados das seleções brasileiras sejam fruto de uma estrutura carcomida. A culpa, seria, portanto, do amarelismo - sem verde oliva - de nossos atletas e técnicos, certo? Bem ... não!

A ilha não é tão segura assim. Existem monstros que a rondam com avidez. Um deles é o continuísmo. O presidente da CBV é o mesmo desde 1997 e é parte de um grupo que está lá a décadas. Tudo bem que tivemos muitas vitórias para contabilizar, mas a continuidade impede novas reflexões e com o tempo vira anacronismo. Do ponto de vista político, mesmo que se tenha alguma simpatia pelo absolutismo, sabemos muito bem que este regime nos dias atuais tende ao fracasso, senão para os líderes, ao menos para os liderados.

Outro ponto é o investimento no alto rendimento. Criou-se uma grande estrutura para os atletas de rendimento, algo que merece os aplausos, mas e o que se fez pelo esporte escolar? Pelo elemento recreativo? Ou mesmo para a população idosa? E o vôlei adaptado? Perguntas que ficam bailando com o silêncio.

A estrutura dos clubes que empregam profissionais da área é boa? Pensemos. Todo ano, pelo menos um time da Super(?) liga, fecha as portas por problemas financeiros. Mercadologicamente os times não se organizam para gerar receitas e ainda inflacionam salários. Sem contar o recorte de gênero, em que uma estrela no masculino chega a ganhar 5 vezes mais do que uma estrela do feminino.

Do ponto de vista de planejamento. Clubes e Seleção se engalfinham no calendário, deixando os principais jogadores e jogadoras em estado lastimável. Ora, vejam agora, o quanto se reclama de lesões e falta de preparo físico.

E no nosso complexo de excelência fechamos os olhos para o estrangeiro. Achamos que nossos campeonatos nacionais - dito pela imprensa como o melhor do mundo - se basta. Não se faz intercâmbios, jogadores competem aquém de suas possibilidades e não se forma um novo plantel de técnicos.

Por fim, como cereja no doce, não criamos torcedores, criamos expectadores de vitória. E como a expressão diz, vão para ver as vitórias, quando elas não veem - algo comum ao esporte - vociferam. Dizem que o bonitão ali amarelou, que a lindinha aqui não tem condições psicológicas de jogar. Parece que todos os jogadores e as jogadoras são sociopatas em potencial.

Bem, aí está o resultado: falhas no alto rendimento, massificação mínima e bichos de picadeiro blasfemando os "artistas" que não os fazem regozijar o suficiente.


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